Solidão

3 08 2010

Esse título parece meio depre.. talvez seja, mas é uma depressão de um longo tempo atrás, que talvez ainda continue um pouco latente, porém mais compreendida.

Durante toda a minha vida me senti sozinha, e procurei a solidão. Quando menina passava as tardes brincando solitária com minhas bonecas, fui uma criança extremamente calma, a ponto de dormir no meio dos brinquedos, a ponto de a família não perceber que eu estava em casa. Sempre quando encontro as tias ou a minha própria mãe, e quando lembramos de minha infância, o comentário clássico é : “a Flávia era tão quietinha que nem parecia que tinha criança em casa, ela brincava sozinha, não dava trabalho nenhum” . E assim eu cresci, brincando, sonhando sozinha. Tenho dois irmãos, e nem por isso fiquei mais acompanhada. Depois na adolescência encontrei amigos queridos, e até mais uma irmã, que me fizeram companhia por um tempo, mas logo cada um de nós seguiu o seu rumo.

Eu sempre procurei a distância, primeiro fui pro Espirito Santo, depois São Paulo, Porto Alegre, voltei pra São Paulo. Primeiro eu achava que era uma fuga, mas eu não entendia do que eu estava fugindo, até que me dei conta, que isso nunca foi uma fuga, apenas um movimento pra tornar o meu sentimento congruente. Como alguém se sente sozinha quando esta rodeada de amigos e família? Por isso eu fui pra longe, para me sentir sozinha literalmente, e poder reclamar por isso, poder chorar por isso, e ser compreendida. Por que é imcompreensível e até inaceitável que alguém com todo mundo em volta se sinta só!

Hoje eu continuo na batalha, estou aqui no USA com meu amor, mas cada instante que ele está fora eu me sinto só, e quando ele está junto sinto falta da família.

Talvez eu não tenha me sentido cuidada, talvez eu sinta falta das pessoas na minha volta, mas não porque só estão ali, mas porque estão ali por mim. Talvez porque eu tenha sido essa criança tão calma que não exigiu cuidados, agora eu sou essa adulta com transtorno de ansiedade que exija os maiores cuidados.

As vezes é difícil ser eu, mas em nenhum momento eu queria ser outra pessoa.

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